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A Conferência Amazônia em Perspectiva, realizada na última semana, em Manaus (AM), ofereceu uma oportunidade extraordinária para discutir e avaliar caminhos comuns dos três grandes programas de pesquisa do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT) na região - LBA, Geoma e PPBio.
Vindos de diversos países ou regiões do Brasil, centenas de pesquisadores e alunos compartilharam um sentimento de responsabilidade e de urgência sobre o futuro da pesquisa básica e aplicada na Amazônia, que vem se consolidando em um paradigma de integração das atividades científicas. É difícil negar que podemos fazer mais juntos do que separados.
Atualmente, os programas existentes possuem agendas relativamente complementares, mas que ainda não foram integradas plenamente. O LBA, Programa de Grande Escala da Biosfera-Atmosfera na Amazônia, é o maior e mais “gordo” dos irmãos, e tem se especializado em estudos sobre o funcionamento climatológico, biogeoquímico e hidrológico da Amazônia. Além disso, o LBA também estuda o impacto das mudanças do uso da terra em escala regional e global. O Geoma, Rede Temática de Pesquisa em Modelagem Ambiental da Amazônia, é o “irmão do meio”, e atua para desenvolver modelos espaciais para entender a dinâmica dos sistemas ecológicos e socio-econômicos em diferentes escalas geográficas. Já o PPBio, Programa de Pesquisa em Biodiversidade, é o “caçula”, porém com grande importância para a família toda, pois atua para gerar e disseminar informações sobre biodiversidade. Atualmente, a carência de informações amplamente distribuídas sobre a biodiversidade representa um nítido gargalo para os outros programas, de modo que é urgente a aplicação de investimentos maciços para aumentar a geração de informações sobre a distribuição e identidade das espécies.
Quem tiver interesse em se aprofundar no conteúdo da conferência, pode acessar as apresentações, assim como alguns pôsteres, imagens e vídeos. Por ora, é importante levantar para discussão um assunto que foi enfatizado em várias instâncias: a necessidade de formar e fixar recursos humanos na Amazônia de maneira abrangente e permanente, o que inclui tanto pesquisadores científicos, alunos de ensino fundamental, médio e superior, quanto técnicos de campo (parataxônomos, escaladores de árvores, etc.), que invariavelmente são determinantes da capacidade de executar trabalhos em campo.
As instituições de pesquisa na Amazônia desenvolveram-se muito desde sua criação, mas também as pessoas precisam ficar atentas para evoluir e se adaptar. A história de vida da Dra. Ilse Walker deve ser sempre louvada e usada como estímulo para jovens pesquisadores que pensam em dedicar décadas de suas vidas ao acúmulo de conhecimento sobre a natureza amazônica. É imprescindível que os institutos de pesquisa no Brasil sejam renovados, ganhem em dinamismo para compensar a baixa densidade de pesquisadores. A contratação de jovens pesquisadores precisa ser priorizada no âmbito federal, pois esse recurso é estratégico para o desenvolvimento "sustentável" da Amazônia. A região Norte abrange cerca de 60% do território nacional, porém conta com apenas 5% dos pesquisadores brasileiros. Este quadro é altamente restritivo para a capacidade de gerar conhecimento, pois quem faz ciência são pessoas, tão geniais quanto limitadas. Além da formação de pessoas ser insuficiente em função da demanda, a maioria dos pesquisadores formados não consegue se fixar nessa região.
Então, o que é preciso ser feito para aumentar a atração e fixação de pessoas qualificadas para atuar em ciência na Amazônia? Obviamente, o pessoal de Brasília tem grande poder para mudar o status quo. De fato, representantes do MCT e da Capes estavam presentes no evento e todos endossaram a importância de suprimir essa carência. Esperamos que além de melhorar o valor das bolsas oferecidas (ou ao menos pagar o valor correto definido pelo CNPq, um problema com as bolsas PCI), sejam tomadas medidas efetivas para aumentar a contratação de jovens pesquisadores para atuar em instituições da região. Este processo será particularmente imprescindível se levarmos em conta a necessidade de consolidação dos Institutos Nacionais que foram aprovados para a Amazônia.
Como esperança, vale celebrar o concurso do Inpa de 2008. Durante a semana de conferência, foram anunciados os nomes dos pesquisadores que serão incorporados ao instituto. Foram contratados 5 pesquisadores adjuntos e 7 tecnologistas plenos. Que esse processo de contratação avance e seja um diferencial no futuro sócio-econômico-ambiental da Amazônia, favorecendo a diversificação de linhas de pesquisa, a conservação dos recursos naturais, a aplicação do conhecimento e a perpetuação dos serviços ambientais.
Artigo publicado no blog ULE- União Local de Ecólogos/Inpa (com adaptações)
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